#17 – E o que é sabão mesmo, gente? Faltei a aula de Química, todas elas!

Se você e eu habitamos o mesmo planeta, ambos, como bons conhecedores dessa terra, sabemos que não existe árvore de sabão. E nem cachoeira, e nem montanhas, e nem hortinha, seja ela orgânica ou o temível, o bicho papão da nossa era, agronegócio.

Isso, não significa, claro, para o bom homo capitalist que somos, que não inventamos uma forma de vender “sabão” (mesmo não o sendo) em larga escala e enriquecer nossos bolsos, figurativamente falando, pois hoje dinheiro é algo demodê, e sujo, muito sujo, nojento, infecto, afirma com convicção meu pai bancário aposentado.

E convenhamos, ele tem a sua excelência no assunto. Na última, e primeira, viagem que fizemos juntos, deixou de comer um pastel de Belém, ressalto pastel de Belém de Portugal, em Portugal, pois, numa retrospectiva do seu dia, havia, em algum momento, algumas tantas horas antes, tocado em umas moedinhas.

Dei-lhe na boca, e lhe omiti, obviamente, a minha própria culpa, pois sou uma boa filha, claro. Tanto que estou expondo aqui essa inútil intimidade, só pelo prazer literário saboeiro.

Continuemos, por favor, Flávia. Aprendi a digredir (fugir do tema) com ele, diga-se de passagem.

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Fábrica de Sabão em Alepo

Sabendo, querido leitor, que sabão não dá em árvore, que não surge por combustão espontânea (essa você já sabe, pois, as roupas no cesto nunca ficam limpas sozinha).

Então, de onde diabos vem, o dito cujo, sabão?

Reza a lenda que, numa dessas fogueiras que existiram há uns 5 mil anos atrás, a combinação da cinza da queima da madeira com a gordura animal formou uma substância que, pasmem, poderia limpar gordura.

Espantoso, não? Você pode parar por aqui e impressionar quem deseje pela simples repetição disso, ou podemos juntos, tentar desvendar esse mistério.

Um mistério que tardou muitos anos a ser revelado, digamos assim, por aquela coisa amada e odiada, que hoje damos o nome de ciência. A história completa, ou uma boa parte dela, você pode consultar na Wikipédia poupando-me o trabalho de copiar de lá.

Mas, em resumo, há fórmulas de sabão que são elaborados desde a Antiguidade, como é o caso do sabão de Alepo.

Alepo é hoje, ou era, uma cidade na Síria, palco dessas destrutivas atividades que nós humanos estamos fazendo desde nossos tempos de fogueira, desde que fomos criados ou desde que nascemos por combustão espontânea ou desde que saímos da barriga de uma macaca; não tenho preconceito com crenças. 

Mas vamos entrar na parte da Química. Retardo esse momento pois faltei, ou dormi, praticamente em todas essas aulas. Comprovado empiricamente com péssimas notas e nenhuma compreensão.

Antes de virar saboeira, claro. Quando a realidade mostrou-me de forma indubitável que era necessário aprender alguma coisa, algo; nem que fosse para repetir como papagaio, coisa que não o fiz de forma eficiente na escola. O fato é que: aprenderei a “ciência” enquanto escrevo esse post.

Assim que sabão é: um sal de ácido graxo. E sim, sei que isso não significa muita coisa para quase ninguém.

Esse sal é formado pela reação química chamada de Saponificação que se dá através da combinação de dois componentes: gordura e uma base (geralmente hidróxido de sódio ou potassa cáustica) em meio aquoso.

A Saponificação resulta na formação de glicerina sabão. E não, não sobra soda, eu lhe asseguro, desde que, claro, a coisa seja feita de forma direita, ou esquerda, o importante é fazer os cálculos corretamente (e seguí-los).

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É tudo muito novo, eu sei, vamos tentar digerir com calma.

Gordura, ou óleo, é um composto formado pela união de três ácidos graxos com uma molécula de glicerol, formando um éster.

Ácidos graxos são ácidos monocarboxílicos, pois apresentam um único agrupamento de (-COOH). E são ácidos pois tem em sua extremidade um H+, e quanto mais fácil for a liberação desse fulano, mais ácido será a coisa.

Glicerol, meu querido, se você ainda está aqui, é aquela coisa que lhe vendem como glicerina. E éster, vou descaradamente pular.

Soda cáustica, ou hidróxido de sódio, ou NaOH é uma base (álcali) forte, tem pH 14, e, por isso, reage com o óleo. Base é: qualquer substância que reage liberando ânion OH–. E ânion é: um íon de carga negativa. E íon é: um átomo ou molécula que perdeu ou ganhou elétrons. Sim, fui pulando de galho em galho (ou de link em link) até chegar à algum entendimento.
Se a gordura é um triglicerídeo, qual é o resultado da quebra dessa molécula? Fica mais fácil observar a coisa a partir desse ponto de vista, não? Ao menos pra mim sim, deu uma luz aqui.

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A saponificação ocorre em diversas etapas:

1 – 3 moléculas de NaOH são dissolvidas na água (H2O), elas se dividem e formam três ions de sódio (Na) e 3 hidróxidos (OH);

2 – no encontro com os óleos (as moléculas de triglicerídeos) são dividas através da hidrólise (a molécula se quebra através da adição de água, água mole em pedra dura, quem confiaria no ditado popular) e resultam em três moléculas de glicerol livres mais três rabos de ácido graxo (estou estudando em inglês) também conhecidos como ésters ou COOR;

3 – os grupos de OH livres se juntam ao glicerol e formam a glicerina e por fim,

4- os três ésters se juntam ao íons de sódio (Na) formando as moléculas de sabão.

Próximo post, se nós aguentarmos, porque o sabão limpa? Nessa pergunta, se há aí em você a capacidade de ver os furos deixados nesse texto, ou se você é um entendido de química, iremos responder o que diabos é um sal.

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